Esta linha de pesquisa investiga a arquitetura contemporânea da segurança pública a partir do papel central dos governos subnacionais, com foco na transição de modelos reativos para uma governança orientada por dados e evidências. Analisa o desenho, a implementação e a avaliação de políticas de prevenção da criminalidade, bem como os arranjos institucionais e interfederativos que sustentam sua execução. O escopo integra o estudo das capacidades institucionais locais, com ênfase na atuação das Guardas Municipais, nos Planos Municipais de Segurança Pública e nas estratégias de prevenção situacional, incluindo abordagens como Problem-Oriented Policing e Crime Prevention Through Environmental Design (CPTED). Simultaneamente, incorpora métodos rigorosos de avaliação, incluindo desenhos experimentais e quase-experimentais, revisões sistemáticas e meta-análises, com o objetivo de produzir evidências sobre a efetividade das intervenções. A linha busca compreender como políticas públicas são formuladas, implementadas e traduzidas em resultados concretos, articulando governança, prevenção e avaliação para apoiar decisões estratégicas no âmbito do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP – Lei 13.675) e fortalecer a legitimidade e a efetividade das ações estatais.
A linha fundamenta-se na tradição da criminologia aplicada e na abordagem de políticas públicas baseadas em evidências (evidence-based policy), que enfatiza o uso sistemático de conhecimento científico para orientar decisões governamentais. Nesse sentido, dialoga diretamente com os trabalhos de Lawrence W. Sherman, que estabelece os fundamentos do policiamento baseado em evidências. Também se ancora na criminologia ambiental e na prevenção situacional, especialmente nas contribuições de Ronald V. Clarke, que enfatiza a redução de oportunidades criminais por meio da modificação de contextos específicos, e de Herman Goldstein, cujo conceito de Problem-Oriented Policing orienta intervenções focadas em problemas concretos e recorrentes.
Adicionalmente, incorpora a literatura sobre análise espacial do crime e policiamento focalizado, com destaque para os estudos de David Weisburd sobre a concentração espacial da criminalidade e a efetividade de intervenções em “hot spots”. No contexto brasileiro, a linha dialoga com os desafios de coordenação interfederativa e fortalecimento de capacidades institucionais no âmbito do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), contribuindo para a consolidação de uma agenda de segurança pública orientada por evidências, transparência e accountability.
O Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (CRISP) não apenas se destaca pelo pioneirismo, mas também pela quantidade e qualidade dos trabalhos desenvolvidos, tornando-se uma referência nacional na análise e no desenvolvimento de iniciativas voltadas para o estudo da violência e da criminalidade no Brasil, bem como para o desenvolvimento e implementação de políticas públicas em segurança.