A Linha de Pesquisa “Sistemas de Encarceramento, Práticas Penais e Direitos Humanos” investiga as dinâmicas, os impactos e a eficácia das instituições de privação de liberdade e das alternativas penais. O foco central reside na análise do sistema prisional sob a ótica da governança penitenciária, examinando as condições de encarceramento, as trajetórias de reentrada social e o impacto das políticas de punição na reincidência criminal. Um diferencial estratégico desta linha é o estudo e a avaliação de modelos inovadores de execução penal, com destaque para o método APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados), analisando sua sustentabilidade e potencial de escalabilidade como alternativa ao modelo comum. O escopo abrange a análise de dados populacionais carcerários, estudos sobre a economia do crime dentro das prisões e a avaliação de programas de educação, trabalho e assistência psicossocial voltados à reintegração
A linha fundamenta-se na sociologia da punição e nos estudos sobre o impacto das instituições prisionais, ancorando-se nas obras de Loïc Wacquant (2009) sobre a expansão do sistema penal e a gestão da pobreza. A análise da eficácia e da moralidade das prisões utiliza como marco teórico o trabalho de Alison Liebling (2004), cujas métricas sobre a “vida moral” das prisões são padrão internacional para avaliar a qualidade do ambiente carcerário. Complementarmente, incorpora-se a literatura sobre desistência do crime (Desistance), com foco nos trabalhos de Shadd Maruna (2001), para compreender os mecanismos psicossociais que sustentam o abandono da trajetória criminal. No Brasil, a linha dialoga com as pesquisas de Julita Lemgruber e a vasta experiência do CRISP em pesquisas sobre esta temática, unindo rigor acadêmico a uma proposta de transformação social.
Liebling, A. (2004). Prisons and Their Moral Performance. Oxford University Press.
Wacquant, L. (2009). Punishing the Poor. Duke University Press.
Crewe, B. (2009). The Prisoner Society. Oxford University Press.
O Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (CRISP) não apenas se destaca pelo pioneirismo, mas também pela quantidade e qualidade dos trabalhos desenvolvidos, tornando-se uma referência nacional na análise e no desenvolvimento de iniciativas voltadas para o estudo da violência e da criminalidade no Brasil, bem como para o desenvolvimento e implementação de políticas públicas em segurança.