
A dissertação analisa a formação de espaços de uso de crack no bairro Lagoinha, em Belo Horizonte, sob a ótica da sociologia do crime e da ecologia social. A autora investiga como intervenções urbanísticas e a degradação física contribuíram para a desorganização social da área, facilitando sua apropriação como “cracolândia”. Através de metodologias quantitativas e qualitativas, o estudo mapeia a territorialidade e as sociabilidades dos usuários, destacando o impacto da proximidade com pontos de tráfico. O trabalho conclui que o fenômeno é espacialmente concentrado e demanda políticas públicas integradas de saúde e segurança.

Esta dissertação investiga os eventos e fatores no curso de vida de adolescentes em Belo Horizonte que influenciam a entrada e a consolidação de trajetórias infracionais. Através de uma metodologia de métodos mistos, o autor confronta jovens com trajetórias “ocasionais” e “crônicas”, revelando que o grupo crónico apresenta vínculos familiares mais frágeis, maior defasagem escolar e um início mais precoce no Sistema de Justiça Juvenil. O estudo destaca que a sociabilidade, o consumo de drogas e a exposição à institucionalidade pública são dimensões cruciais para entender a continuidade da criminalidade juvenil. Conclui-se que intervenções focadas nestas áreas podem ter um efeito protetivo contra o desenvolvimento de carreiras criminais consolidadas.

Esta tese investiga os mecanismos de diferenciação nas trajetórias de jovens em contextos de alta vulnerabilidade social em Belo Horizonte, questionando por que indivíduos em condições similares seguem caminhos distintos. Utilizando uma abordagem de métodos mistos e o arcabouço da Sociologia do Curso de Vida, o autor analisa como a interação entre agência individual, vínculos institucionais (escola e trabalho) e redes de sociabilidade molda a adesão ou resistência à criminalidade. O estudo destaca que a qualidade das relações e o “timing” das intervenções públicas são determinantes para evitar a consolidação de carreiras infracionais. Conclui-se que a proteção social efetiva depende de políticas que considerem a heterogeneidade das experiências juvenis e fortaleçam os mecanismos de resiliência comunitária.

Nos casos de aplicação da medida socioeducativa de internação o Estatuto da Criança e do Adolescente aponta somente o tempo máximo de duração – a saber: três anos -, e não apresenta indicações temporais para os diferentes atos infracionais. Esta dissertação visa compreender como a incerteza temporal quanto à extensão da privação de liberdade é vivenciada e representada pelos adolescentes, de maneira a investigar de que modo tais percepções interferem na definição situacional edificada durante o período de acautelamento. Para responder ao problema deste estudo, primeiramente, fez-se um panorama geral de Minas Gerais, a partir de uma análise quantitativa dos tempos de internação deste estado. Verificou-se uma correlação estatística entre tempos maiores de acautelamento e o crime de homicídio, assim como para adolescentes mais novos. Na sequência, as entrevistas semiestruturadas realizadas aos adolescentes em regime de internação em Belo Horizonte foram interpretadas, revelando como a indeterminação temporal estimula os adolescentes a se esforçarem para a aceleração do seu desligamento, mediante a construção de estratégias voltadas para o término da internação. Os adolescentes sinalizaram o cumprimento da medida a partir de um processo de racionalização, em uma tentativa de controlar o tempo intramuros.


Esta tese tem como objetivo central analisar o processo de construção da identidade profissional dos agentes de segurança penitenciária de Minas Gerais. O sistema penitenciário mineiro passou por mudanças drásticas nos últimos vinte anos e tem demandado um perfil específico de indivíduos para compor o seu staff. No decorrer desses anos ocorreu um forte investimento em programas de treinamento visando tornar os agentes penitenciários mais repressivos, estratégicos e eficientes para a manutenção da segurança e da ordem nas prisões. Essa profissionalização, por sua vez, se deu através da incorporação progressiva de elementos organizacionais característicos das forças policiais militares ao trabalho custodial e a valorização da performance militar de atuação. A identificação com o campo militar gerou um dilema identitário no grupo ocupacional: guardiões ou policiais?. Alguns agentes penitenciários tem rejeitado a imagem do guardião e se reconhecido como policiais envolvidos em operações de combate ao crime dentro e fora das prisões. Instalou-se uma identidade profissional dual, custodial e policial, com profunda repercussão nos ambientes prisionais e no modo como a ordem tem sido construída em seu interior.
O Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (CRISP) não apenas se destaca pelo pioneirismo, mas também pela quantidade e qualidade dos trabalhos desenvolvidos, tornando-se uma referência nacional na análise e no desenvolvimento de iniciativas voltadas para o estudo da violência e da criminalidade no Brasil, bem como para o desenvolvimento e implementação de políticas públicas em segurança.